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“Eu queria ter sido aceita pela minha família” criança viada bia leite Full view

“Eu queria ter sido aceita pela minha família”

Por Natasha Roxy.

Minha mãe sempre me falou que minha sexualidade era muito evidente desde os meus dois anos de idade.
Eu não sabia exatamente o que eu era, eu apenas existia…
uma criança afeminada que foi designada do sexo masculino.

E por conta disso passei por situações de abusos, violências…
fui exposta muito cedo logo na infância a pornografia, era obrigada a ouvir que eu tinha que gostar de buceta, se eu falasse algo ao contrario disso apanhava, era constrangida e submetida a situações de vexame.
era obrigada a assistir filmes de sexo explicito, fui abusada sexualmente, era ameaçada…
passei a minha adolescência tendo que ouvir do meu padrasto que ele me levaria a um “puteiro” pra ter relações sexuais com uma mulher e aprender a ser homem…
Pasmem, ele era um “Levita da casa do Senhor”…
Eu morria de medo desse dia chegar.

Eu não esqueço do dia em que apanhei dele por simplesmente ele ter visto uma reportagem sobre transexualidade na TV e ele perguntou se eu queria ser daquele jeito, se queria cortar meu órgão genital, apanhei por simplesmente não querer responder sobre algo que eu não entendia.

Eu apanhava toda vez que minha mãe era chamada na escola por simplesmente ter minha sexualidade evidente e isso incomodava muitos alguns professores, esses professores inventavam coisas absurdas sobre mim e eu tinha que me manter calada porque antigamente os pais e professores “sempre tinham razão”…

A Escola era uma tortura as vezes pra mim, eu via todos meus amigos se envolvendo com alguém e eu me sentia extremamente sozinha, com treze anos meus amigos de escola já transavam, já beijavam na boca e isso era lindo pra sociedade né…

enquanto isso minha sexualidade que é algo totalmente fluida e natural foi oprimida esse tempo inteiro, algumas coisas são totalmente irreversíveis na vida da gente.
hoje sou uma pessoa com complexo de inferioridade, sem auto estima pra lidar com determinadas situações e Graças a mim mesma aprendi a lidar com cada coisa que passei na vida.

Eu não vejo problema algum em dois meninos gays adolescentes se beijarem e serem aceitos pela família, a ponto de fazerem brincadeiras com conotações sexuais.
A sexualidade existe e está a cada dia mais evidente ninguém pode negar isso…
Eu queria ter sido aceita pela minha família, já seria uma grande redução de danos em minha vida!

Written by Beatriz

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